Vereador quer detalhamento dos critérios aplicados à CFEM sobre ferro e manganês e informações sobre arrecadação, distribuição e destinação dos recursos
Vereador quer detalhamento dos critérios aplicados à CFEM sobre ferro e manganês e informações sobre arrecadação, distribuição e destinação dos recursos
O vereador Yussef Salla apresentou requerimentos à Agência Nacional de Mineração (ANM) e à Prefeitura de Corumbá solicitando informações técnicas e financeiras sobre a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), os chamados royalties da mineração.
Os pedidos foram confirmados nesta terça-feira, 27 de outubro, pela Câmara Municipal de Corumbá. O parlamentar busca esclarecimentos sobre os critérios utilizados para calcular a compensação incidente nas operações envolvendo minério de ferro e manganês produzidos no município. (Câmara Municipal de Corumbá)
Entre os pontos encaminhados à ANM está a identificação das normas e atos administrativos atualmente utilizados na apuração da CFEM. O requerimento questiona ainda se a classificação de um produto mineral como “matéria-prima” ou “insumo” pode, isoladamente, interferir na incidência ou na base de cálculo da compensação.
Também foram solicitados esclarecimentos específicos sobre operações de venda, exportação, transferência entre estabelecimentos, beneficiamento e consumo de minério.
Pela legislação federal, a base de cálculo da CFEM varia conforme a operação. Na venda, por exemplo, a compensação incide sobre a receita bruta, descontados os tributos incidentes sobre a comercialização. Nas exportações e nas hipóteses de consumo existem critérios próprios. A ANM esclarece ainda que o consumo próprio é fato gerador da CFEM, enquanto determinadas transferências entre estabelecimentos, por si só, não geram a compensação, embora devam ser registradas para fins de rastreabilidade. (Serviços e Informações do Brasil)
Dados mostram queda na arrecadação em 2025
Os dados públicos disponíveis ajudam a dimensionar a importância da discussão para Corumbá.
Relatório elaborado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com dados da ANM, aponta que a arrecadação de CFEM relacionada a Corumbá ficou em aproximadamente R$ 46,02 milhões em 2023. (Semadesc)
Em 2024, o valor foi de R$ 46.209.182,35. Já em 2025, caiu para R$ 28.165.710,23, embora Corumbá tenha permanecido como o município com maior arrecadação de CFEM em Mato Grosso do Sul. (Semadesc)
A redução, porém, não permite concluir que houve recolhimento irregular ou prejuízo provocado por alguma empresa. Ao analisar o desempenho estadual em 2025, a Semadesc relacionou a retração da CFEM principalmente à queda do preço médio internacional do minério de ferro. (Semadesc)
Os requerimentos apresentados por Yussef procuram justamente avançar nessa apuração e identificar se houve mudanças normativas, revisões de cálculo, compensações, restituições ou outros ajustes capazes de influenciar os valores relacionados às operações minerais realizadas em Corumbá. (Câmara Municipal de Corumbá)
Arrecadação não é necessariamente o mesmo que repasse
Outro ponto relevante é que o valor arrecadado pela atividade mineral em determinado município não corresponde necessariamente, no mesmo período, ao valor que entra nos cofres da Prefeitura.
A própria ANM explica que arrecadação e distribuição são etapas diferentes. A arrecadação corresponde ao pagamento realizado pelas empresas. Depois, a compensação é distribuída conforme as regras legais, podendo um município receber recursos na condição de produtor e também, em determinadas situações, como município afetado pela atividade de mineração. (Serviços e Informações do Brasil)
Por isso, a comparação entre a arrecadação registrada pela ANM e o efetivo ingresso de recursos no caixa municipal exige a análise dos demonstrativos de distribuição.
Prefeitura também deverá informar aplicação dos recursos
No requerimento encaminhado ao Executivo municipal, Yussef pede os valores efetivamente recebidos por Corumbá entre 2023 e 2025 e os dados disponíveis de 2026.
O vereador solicitou ainda informações sobre a destinação da CFEM nos últimos cinco exercícios, com a indicação de projetos, obras e ações financiados com esses recursos.
A legislação determina que União, estados e municípios tornem públicas anualmente as informações relativas à aplicação das parcelas da CFEM recebidas. (Planalto)
Também foram requeridos eventuais estudos, pareceres ou levantamentos elaborados pela Prefeitura sobre mudanças nos critérios de apuração da compensação e medidas adotadas pelo Município para acompanhar ou questionar diferenças nos repasses.
Até o momento, não há nos documentos divulgados comprovação de recolhimento a menor, irregularidade praticada por mineradoras ou perda financeira específica para Corumbá. Os requerimentos buscam obter os dados necessários para verificar essas hipóteses.
A próxima etapa da apuração dependerá das respostas da ANM e da Prefeitura, que poderão permitir a comparação entre os valores arrecadados pelas operações minerais, os montantes distribuídos a Corumbá e a efetiva aplicação desses recursos pelo Município.
Detran-MS amplia serviços em totens digitais e Corumbá está entre cidades atendidas
27/10/2026Flávio Bolsonaro não entrega passaportes no prazo; PF cancela documentos após ordem de Moraes
27/10/2026MS registra 35 denúncias de assédio eleitoral; MPT alerta para represálias após as eleições
26/10/2026Homem é baleado na Avenida Gaturama e polícia apura versões divergentes sobre ataque
25/10/2026Após série de roubos, moradores de Ladário criam rede de segurança comunitária
29/05/2025
Nenhum Comentário