Receita Federal e Polícia Federal cumprem nove mandados em quatro cidades; investigação apura comércio irregular de peças estrangeiras, lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada.
Receita Federal e Polícia Federal cumprem nove mandados em quatro cidades; investigação apura comércio irregular de peças estrangeiras, lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada.
A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta quinta-feira (27) a Operação Peça-Chave, que investiga um suposto esquema de comércio irregular de peças automotivas estrangeiras que teria movimentado mais de R$ 146 milhões entre 2018 e 2023. Nove mandados de busca e apreensão são cumpridos em Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A investigação apura ainda indícios de lavagem de dinheiro, utilização de empresas de fachada e emissão de documentação fiscal irregular. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande e têm como alvos endereços em Ponta Porã (MS), São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado a região de fronteira para adquirir peças automotivas de origem estrangeira introduzidas irregularmente no Brasil.
As mercadorias seriam posteriormente enviadas para empresas localizadas em outros estados, principalmente em São Paulo, utilizando documentação fiscal irregular.
Segundo a investigação, para realizar o transporte das peças, teriam sido utilizadas notas fiscais frias, inclusive documentos emitidos por empresas que, conforme os investigadores, eram usadas para registrar operações que não realizavam efetivamente.
Os investigadores também identificaram empresas que movimentavam valores considerados incompatíveis com suas estruturas, além de indícios da comercialização de produtos que não constavam nos registros de entrada dos estoques das empresas investigadas.
A análise fiscal, patrimonial e financeira realizada pela Receita Federal apontou que os envolvidos movimentaram mais de R$ 146 milhões no período entre 2018 e 2023, sem documentação contábil capaz de comprovar a origem e o destino dos recursos.
As apurações também encontraram indícios de lavagem de dinheiro. Segundo a Receita Federal, parte dos recursos teria sido movimentada em nome de pessoas que não apresentavam condição financeira compatível com os valores, mas possuíam ligação com os principais integrantes do grupo investigado.
Durante o cumprimento dos mandados, a Justiça autorizou a apreensão de bens de alto valor que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes do suposto esquema.
Também poderão ser apreendidos valores em espécie acima de R$ 5 mil, caso não seja possível comprovar a origem do dinheiro.
Participam da Operação Peça-Chave oito auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal, além de agentes da Polícia Federal. Documentos, bens e outros materiais recolhidos durante as buscas serão analisados em conjunto com informações fiscais e bancárias dos investigados.
A investigação permanece em andamento.
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