Queda da CFEM chama atenção em meio ao crescimento da produção mineral, enquanto cidade enfrenta problemas de infraestrutura e questiona qual retorno efetivo a atividade deixa para o município
Queda da CFEM chama atenção em meio ao crescimento da produção mineral, enquanto cidade enfrenta problemas de infraestrutura e questiona qual retorno efetivo a atividade deixa para o município
Corumbá vive uma situação que começa a chamar atenção e merece ser acompanhada de perto.
Nos últimos anos, a produção mineral aumentou, novos investimentos foram anunciados e a atividade segue ocupando posição de destaque na economia local. Ao mesmo tempo, porém, os valores da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, a CFEM, destinados ao município vêm apresentando queda.
Na prática, Corumbá produz mais minério, movimenta mais cargas, recebe mais caminhões, amplia a circulação ligada à atividade e, ainda assim, vê diminuir uma das principais receitas diretamente relacionadas à exploração mineral.
A situação causa estranheza principalmente porque a cidade convive diariamente com os impactos dessa atividade.
Em vários pontos utilizados pelo transporte de minério, moradores e motoristas reclamam das condições das vias, do excesso de poeira, da sujeira e dos riscos provocados pelo intenso tráfego de veículos pesados. São problemas que acabam recaindo sobre a rotina da população e, muitas vezes, sobre a própria estrutura pública do município.
Enquanto isso, cresce também outro questionamento: além dos empregos e dos tributos obrigatórios, qual é o retorno efetivo que as grandes mineradoras têm deixado para Corumbá?
A dúvida não significa afirmar que as empresas não realizem ações na cidade. Pelo contrário. O que falta hoje é uma visão clara e transparente sobre o tamanho desses investimentos e sobre o quanto eles representam diante da dimensão da exploração mineral realizada no município.
Em outras cidades, grandes empresas mantêm programas permanentes nas áreas de saúde, esporte, educação, assistência social, qualificação profissional e infraestrutura. Em Corumbá, essa comparação começa a ser feita pela própria população.
A pergunta é simples: uma cidade que entrega uma de suas maiores riquezas naturais está recebendo de volta benefícios compatíveis com o tamanho dessa atividade?
No caso da CFEM, a resposta ainda exige mais cuidado.
A compensação não é calculada apenas pela quantidade de minério retirada do solo. Preço de venda, comercialização, estoques, exportações e outros fatores podem influenciar no valor recolhido. Por isso, a queda da arrecadação não pode ser tratada, por si só, como prova de irregularidade. Mas também não pode ser ignorada.
Quando a produção cresce e a receita cai, é natural que surjam questionamentos sobre como essas operações estão sendo realizadas, quais valores estão sendo declarados e se o município está recebendo aquilo que efetivamente lhe cabe.
É justamente a partir dessas perguntas que o VoxOnline inicia uma nova linha de apuração sobre a mineração em Corumbá.
O objetivo será acompanhar de forma permanente a relação entre a exploração mineral, a arrecadação pública, os impactos deixados na cidade e os benefícios efetivamente gerados para a população. Mais do que discutir apenas números, a questão envolve o futuro de Corumbá.
O minério é uma riqueza que não se renova. Ele sai do solo, é transportado, comercializado e gera receitas bilionárias. O desafio é garantir que uma parte significativa dessa riqueza também permaneça na cidade em forma de desenvolvimento, infraestrutura, qualidade de vida e oportunidades.
Corumbá precisa saber quanto essa atividade realmente gera, quanto ela custa para o município e, principalmente, quanto dela fica para quem vive aqui. Essa é uma discussão que está apenas começando.
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29/05/2025
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