IPCA-15 registra primeira deflação em um ano e acumula alta de 4,24% em 12 meses; energia elétrica, alimentos e transportes contribuíram para o recuo.
IPCA-15 registra primeira deflação em um ano e acumula alta de 4,24% em 12 meses; energia elétrica, alimentos e transportes contribuíram para o recuo.
A prévia da inflação brasileira registrou queda de 0,4% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) representa a primeira deflação em um ano e foi influenciado principalmente pela redução nas tarifas de energia elétrica residencial.
Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,52% registrados até julho. É também o menor resultado acumulado desde março, quando o índice estava em 3,89%. No mesmo período do ano passado, a prévia da inflação acumulava 4,95%.
A queda de 0,4% é ainda o menor resultado para um mês de agosto desde 2022, quando o indicador apresentou recuo de 0,73%. Em agosto do ano passado, a variação havia sido negativa em 0,14%.
O principal fator para a deflação foi a energia elétrica residencial. As contas de luz ficaram, em média, 6,25% mais baratas no período analisado.
A redução está relacionada ao chamado Bônus de Itaipu, que resultou em um abatimento de R$ 872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores.
O impacto poderia ter sido ainda maior, mas a manutenção da bandeira tarifária amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acrescentou R$ 1,885 às contas para cada 100 kWh consumidos. Segundo a agência, a escassez hídrica exigiu maior utilização de usinas termelétricas, cuja geração possui custo superior ao das hidrelétricas.
Reajustes tarifários realizados anteriormente em algumas capitais também influenciaram os preços, embora as variações da energia tenham permanecido negativas nas localidades analisadas.
O grupo de alimentação e bebidas apresentou queda de 0,57% em agosto, influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que recuou 0,97%.
Entre os produtos com as maiores reduções de preço estão o tomate, com queda de 27,38%; a batata-inglesa, com 25,14%; a cenoura, com 17,05%; e o café moído, com 2,31%.
A alimentação fora de casa continuou registrando inflação, embora em ritmo menor. A variação passou de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O preço das refeições desacelerou de 0,66% para 0,25%, enquanto os lanches avançaram 0,75%.
Entre os nove grupos analisados pelo IPCA-15, habitação apresentou a maior redução, de 1,41%, seguida por transportes, com queda de 1%.
Alimentação recuou 0,57%, vestuário caiu 0,2% e comunicação apresentou redução de 0,02%. Na outra direção, artigos de residência subiram 0,04%, saúde e cuidados pessoais avançaram 0,4%, educação teve alta de 0,46% e despesas pessoais aumentaram 0,66%.
Com o acumulado de 4,24% em 12 meses, o IPCA-15 voltou a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação, após permanecer acima do limite nos três meses anteriores.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, formando um intervalo entre 1,5% e 4,5% ao ano.
As estimativas mencionadas no material indicam, porém, que os preços podem voltar a subir em setembro, em razão da recomposição do efeito do bônus que reduziu as tarifas de energia elétrica em agosto.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, considerado o índice oficial de inflação do país. O indicador acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias e é divulgado desde maio de 2000.
Para o resultado de agosto de 2026, a coleta considerou o período entre 16 de julho e 14 de agosto.
A pesquisa acompanha famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em 11 áreas urbanas do país e considera nove grandes grupos de produtos e serviços, entre eles alimentação, habitação, transportes, saúde, educação, comunicação e vestuário.
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