Quadrilha usava inteligência artificial e clonagem de voz para criar campanhas falsas de doação; grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão enganando doadores.
Quadrilha usava inteligência artificial e clonagem de voz para criar campanhas falsas de doação; grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão enganando doadores.
Uma investigação que revela os limites da crueldade no mundo digital movimentou a polícia de vários estados na manhã desta terça-feira, 14 de julho. Mato Grosso do Sul é um dos alvos da \Operação Sophia\, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul para desmantelar uma quadrilha especializada em criar falsas vaquinhas na internet. O grupo utilizava inteligência artificial, clonagem de voz e montagens de vídeo (deepfakes) para fingir que arrecadava dinheiro para crianças com câncer e outras doenças graves.
Ao todo, a polícia saiu às ruas para cumprir 19 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão no RS, MS, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Até o momento, dez suspeitos já foram presos.
O esquema começou a desmoronar quando a mãe de uma menina que realmente trata um câncer descobriu que as fotos e vídeos de sua filha estavam sendo usados em anúncios pagos nas redes sociais. A postagem pedia doações em dinheiro para o tratamento da garota, mas a família nunca recebeu um centavo e sequer sabia da campanha.
A quadrilha encontrava histórias reais de famílias vulneráveis na internet, roubava as imagens e usava tecnologia de ponta para criar relatos falsos e extremamente emocionantes em áudio e vídeo. Depois, eles pagavam para que esses anúncios aparecessem para milhares de pessoas nas redes sociais através de páginas com nomes bonitos, como \Clube de Doadores\ ou \Unidos pelo Amor\.
Quem clicava no anúncio era levado para um site idêntico aos de vaquinhas conhecidas. Na hora de pagar via Pix, no entanto, o dinheiro ia direto para contas laranjas e empresas de fachada criadas pelos criminosos. Só a campanha que deu início à investigação arrecadou R$ 294,5 mil de pessoas solidárias. No total, uma única empresa usada pelo grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão.
A Polícia Civil alerta para que as pessoas tenham muito cuidado antes de abrir a carteira no mundo digital. A principal recomendação é sempre confirmar a história diretamente com a família da criança ou com a instituição de saúde responsável antes de fazer qualquer transferência. Além disso, desconfie sempre de anúncios com forte apelo emocional que aparecem patrocinados nas redes sociais e confira atentamente o nome de quem vai receber o Pix na tela de confirmação do seu banco.
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