Estratégia prevê liberação monitorada de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia durante cerca de seis meses e será aplicada como complemento às ações já realizadas no município.
Estratégia prevê liberação monitorada de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia durante cerca de seis meses e será aplicada como complemento às ações já realizadas no município.
Corumbá iniciou a preparação para implantar o método Wolbachia, estratégia complementar de enfrentamento à dengue, zika e chikungunya que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia. O projeto foi apresentado na quinta-feira (3), durante videoconferência com representantes do Ministério da Saúde e da iniciativa Wolbachia do Brasil.
Segundo as informações apresentadas durante a reunião, a presença da bactéria reduz a capacidade do mosquito de transmitir os vírus responsáveis pelas principais arboviroses urbanas. O método, no entanto, não substituirá as medidas tradicionais de combate ao Aedes aegypti, funcionando como uma estratégia adicional às ações de controle já desenvolvidas no município.
Representantes de diferentes setores da administração municipal participaram da apresentação. Entre eles estavam integrantes das áreas de Saúde, Governo e Gestão Estratégica, Assistência Social, Infraestrutura, Meio Ambiente e Turismo.
A implantação em Corumbá ainda está na fase preparatória. O processo deverá incluir a definição das áreas prioritárias que receberão a tecnologia, a preparação da estrutura necessária para a produção dos mosquitos e a capacitação de servidores das áreas de saúde, educação, assistência social e comunicação.
Também está prevista a criação de um núcleo de eclosão no município. Nesse espaço, cápsulas contendo ovos de mosquitos serão preparadas para eclosão e os insetos passarão pelo ciclo natural de desenvolvimento até a fase adulta. Posteriormente, serão transportados para os bairros selecionados para a liberação.
Conforme o planejamento apresentado, a liberação dos mosquitos será gradual e monitorada. A previsão é de que o procedimento dure 26 semanas, aproximadamente seis meses, nos bairros que forem escolhidos para receber a estratégia.
As liberações deverão ocorrer uma vez por semana, no período da manhã, com veículos circulando pelas ruas das regiões selecionadas.
O acompanhamento da presença da Wolbachia no ambiente deverá começar aproximadamente um mês depois das primeiras liberações e continuar mesmo após o encerramento dessa etapa. Estão previstos nove ciclos de coleta.
Para o monitoramento, serão utilizadas ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos de mosquitos. O material recolhido será analisado para verificar o estabelecimento da Wolbachia na região.
O projeto prevê ações de comunicação e mobilização comunitária antes e durante a liberação dos mosquitos. Os moradores das áreas contempladas deverão ser informados previamente sobre o funcionamento da estratégia.
A orientação apresentada ao município prevê a utilização de materiais educativos, incluindo cartazes, folders, panfletos, vídeos e conteúdos digitais para explicar o método à população.
Durante a apresentação, também foi orientado que os mosquitos sejam identificados para a população como “Aedes aegypti com Wolbachia”, “Wolbito” ou “mosquito amigo”.
Mesmo com a implantação da tecnologia, as medidas tradicionais de prevenção deverão continuar. O Ministério da Saúde ressalta que a população precisa manter os cuidados destinados a impedir a proliferação do Aedes aegypti, principalmente a eliminação de recipientes que possam acumular água.
Dados apresentados durante a reunião apontaram resultados obtidos com a estratégia em diferentes localidades. Em Campo Grande, por exemplo, foi citado um estudo que registrou redução de 63% nos casos de dengue. O próprio material ressalta, entretanto, que os resultados podem variar de acordo com as características e condições de implantação em cada município.
Em Corumbá, o projeto ainda passará pelas etapas de preparação antes das liberações previstas, incluindo a definição das regiões prioritárias e a mobilização dos moradores.
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