Mobilização no Porto Geral reforça a luta ambiental e destaca o papel das crianças no futuro do Pantanal
Mobilização no Porto Geral reforça a luta ambiental e destaca o papel das crianças no futuro do Pantanal
No domingo, 1º de junho, Corumbá foi palco de uma mobilização harmoniosa e impactante contra o Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como “PL da Devastação”. No icônico cenário do Porto Geral, algumas pessoas, incluindo ativistas, educadores, profissionais comprometidos com o meio ambiente e muitas crianças, se reuniram para discutir o futuro do Pantanal e exigir a aplicação efetiva das leis que garantem o direito constitucional à preservação da natureza.
Das 15h às 17h, o ato foi além da mobilização tradicional e se transformou em uma feira de sustentabilidade e consciência. A empresa local "Meu Quintal Maior que o Mundo" marcou presença com uma exposição de produtos orgânicos, destacando a conexão entre a preservação ambiental e a produção de alimentos. "Sem floresta, não há produção", alertou Yris Cristaldo, idealizadora da iniciativa.
A moda sustentável também ganhou espaço, com brechós como "Brechó da Margarida", "Brechó Agora é Meu" e "Brechó Mih Aguilar" promovendo reflexões sobre o consumo consciente. “Cada peça de roupa usada que compramos economiza milhões de litros de água e ajuda o meio ambiente”, enfatizou Ana de Moraes, proprietária de um dos brechós.
Mudas de espécies nativas foram distribuídas gratuitamente e rapidamente esgotaram, reforçando o entusiasmo da comunidade pela causa. Durante o evento, crianças e adultos se uniram na produção de cartazes, enquanto líderes dialogavam sobre a importância das leis ambientais. As crianças, em especial, se mostraram atentas e envolvidas, representando o futuro que já se fazia presente na manifestação. A participação delas reforçou a reflexão sobre como nossas ações no agora impactam o amanhã.
Os pequenos, curiosos e ativos, participaram de forma lúdica e consciente, provando que diálogos mais frequentes e aprofundados sobre o meio ambiente são essenciais, principalmente entre os pantaneiros, guardiões de um dos biomas mais importantes do planeta. Conhecer o Pantanal é o primeiro passo para protegê-lo, e a manifestação ressaltou a necessidade de engajar desde cedo aqueles que herdarão essa missão.
O ponto alto do evento foi uma roda dinâmica, onde todos, liderado pelo representante indígena Anízio Guató, cantaram e dançaram ao som de um canto tradicional que dizia: "Vamos, vamos nas águas do Pantanal. Nossas vidas são os rios." Este momento simbólico uniu gerações em torno de uma mensagem clara: a preservação do Pantanal é a preservação de nossas próprias vidas.
O Projeto de Lei 2.159/2021, aprovado no Senado por 54 votos a 13, propõe mudanças no licenciamento ambiental que alarmam especialistas e ambientalistas. Ele permite que empreendimentos obtenham licenças automaticamente, apenas com autodeclarações, sem análise técnica prévia, exceto para casos de alto risco ambiental.
Entre os pontos mais criticados está a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que elimina a obrigatoriedade de estudos de impacto ambiental e facilita licenças para empreendimentos de médio potencial poluidor. Além disso, o PL enfraquece órgãos de fiscalização como o ICMBio e permite atividades econômicas em unidades de conservação sem análises prévias obrigatórias.
O texto ainda desprotege territórios indígenas e quilombolas em processo de demarcação e flexibiliza licenças para atividades agropecuárias, atendendo a interesses da bancada ruralista. A inclusão da Licença Ambiental Especial (LAE) acelera o licenciamento de projetos estratégicos, como a exploração de petróleo, mesmo em áreas de alta sensibilidade ambiental, como a foz do Amazonas.
Especialistas consideram o PL um retrocesso sem precedentes na política ambiental brasileira, comprometendo a segurança ambiental e social. “Esse projeto desrespeita as comunidades tradicionais e coloca toda a população em risco de crimes e degradações ambientais”, alertou Alice Dandara de Assis Correia, advogada do Instituto Socioambiental (ISA).
O evento em Corumbá demonstrou que a mobilização local pode ser um catalisador de mudança, reforçando o compromisso da comunidade com o futuro ambiental do Pantanal e do país. As assinaturas coletadas no abaixo-assinado contra o PL serão enviadas ao Congresso Nacional, unindo-se às vozes de todo o Brasil que pedem a rejeição dessa medida.
Com a presença marcante da população, de crianças a idosos, a manifestação foi um lembrete de que o diálogo e a ação coletiva são fundamentais para garantir um futuro sustentável.
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